Building with Round Wood

Sou apaixonado por construir com madeira em toros (troncos?). Conheço poucas coisas que façam sentido de tantas maneiras, quase todas de sentido prático e ecológico – o que no fundo é o mesmo – mas também financeiramente, esteticamente e em termos de resiliência e gestão da floresta.   
 
 
Normalmente não estamos em contacto directo com a origem ou a produção dos produtos que usamos. No caso da madeira como um material de construção, geralmente ela já vem preparada da serração ou das lojas de materiais. Normalmente isso significa que a madeira vem de muito longe ou que pelo menos foi transportada grandes distâncias e trabalhada com recurso a equipamentos industriais. 

Caso queiramos usar a nossa madeira dos nossos terrenos então muitos aspectos têm de ser considerados, o que não é o caso quando se compra madeira pronta a usar. Que árvores devem ser cortadas? Como vamos retirar os troncos A madeira precisa de secar? Qual o impacto da queda das árvores na floresta? etc. 

Depois de feito o projecto, o trabalho começa com a ida à floresta para encontrar e escolher as árvores adequadas. Contudo, não se trata de apenas cortar as árvores com as características correctas, mas também de gerir a floresta ao mesmo tempo que se retira o que é preciso. Por vezes isso significa que o projecto tem de ser adaptado ao que está disponível localmente, ao que é mais facilmente acessível ou ao local onde é mais conveniente retirar árvores. Ao trabalhar desta forma tenho percebido que é possível cuidar da floresta ao mesmo tempo que retiramos os recursos que precisamos para viver. 

 

O processo de construir a nossa casa permitiu melhorar a floresta que nos rodeava e que estava abandonada, ao mesmo tempo que retirávamos as árvores que eram necessárias. É muito aliciante trabalhar de uma forma que é simultaneamente sustentável, integrada nos terrenos envolventes e faz a gestão da floresta de uma forma saudável.

Gostava de falar de mais algumas vantagens de se trabalhar, maioritariamente, com madeira em toros (claro que em determinados locais uma peça de madeira rectangular (trabalhada?) faz mais sentido).

Ao contrário de quando se trabalha com madeira maquinada, quando se usa madeira em troncos as árvores podem ser de menor secção, simplesmente porque se usa toda a árvore em vez de apenas uma secção quadrada da mesma. Isto tem enormes vantagens em termos de extracção e manuseamento dos troncos mas principalmente significa que não precisamos de muitas árvores de grandes dimensões. Simplesmente usamos menos recursos e as árvores de maior dimensão podem ficar na floresta, crescer e valorizar.

Postes longos e finos, como por vezes encontramos em bosques ou florestas que têm estado abandonadas (and not thinned?), onde as árvores cresceram demasiado próximas umas das outras, pode ser ideal para este tipo de construção. Este tipo de árvores tem pouco valor para madeira de construção e normalmente é utilizado como lenha.

Em relação à sua superfície transversal, a madeira redonda é muito mais resistente do que uma viga rectangular. Num poste redondo que não foi maquinado há muito menos fragilidades porque as fibras da madeira circulam os nós e as anomalias sem cortes.

Pela minha experiência a madeira redonda também não torce nem se move como as vigas cortadas porque as tensões que se criam quando a madeira seca mantêm-se em equilíbrio em todo o tronco. Pode dividir-se e quebrar mas não se vai dobrar como no caso da madeira maquinada. O Eucalipto, por exemplo – que é óptimo porque é muito duro e forte – empena e torce muito quando é maquinado mas nos troncos mantém-se direito.

 
 

Para termos uma imagem completa temos de dizer que em alguns casos é complicado trabalhar com madeira redonda e não com vigas perfeitamente direitas. Em termos de juntas, medições, nivelamento e corte, trabalhar com madeira directamente da floresta é, literalmente, menos simples do que trabalhar com madeira rectangular e plana.

Contudo, dado que estamos envolvidos no processo desde o princípio – na floresta – ficamos com um conhecimento muito mais vasto, prático e intuitivo, o que é extremamente capacitivo. Este tipo de compreensão é muito diferente do conhecimento especializado e compartimentado que vem sendo a tendência da aprendizagem no nosso sistema educativo.

Realisticamente, construir com madeira redonda pode ser mais demorado: os troncos têm de ser descascados e nada está normalizado, pelo que os componentes têm de ser adaptados. Contudo, um projecto adequado e alguma experiência sobre a melhor forma de trabalhar nesta área podem reduzir este tempo.

 
 
No fim isto significa menos uso de equipamento pesado, menos processos industrializados, menor uso de recursos (ambientais) e menores custos, maior conhecimento de técnicas manuais especializadas, maior relação com o produto final, mais independência e maior resiliência. Mas o que me parece mais importante é que, ao construir com toros (madeira redonda), a gestão de florestas que lhe está associado pode ser um passo para uma forma de viver mais integrada, onde as actividades humanas estão simbioticamente integradas na teia ecológica da vida da qual fazemos parte.
 
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