About Laura

amante da natureza, picultora e aprendiz de Contadora de Histórias

Desde que me lembro, que sinto uma profunda ligação com a vida selvagem e as plantas, passando a maior parte da minha infância no bosque ao redor da nossa casa, subindo e falando com as árvores. À medida que ia crescendo, fiquei arrasada e confusa com a destruição ambiental que via nos noticiários e, aos 11 anos, tornei-me obcecada por políticas ambientais. Com um desejo ardente de operar a mudança, fui para a Universidade estudar Ecologia e envolvi-me, de imediato, em acções directas em matéria ambiental, em campanhas contra uma série que questões, incluindo novas estradas, alterações climáticas e engenharia genética. Vimos que todos estas questões nada mais eram do que sintomas de um sistema disfuncional e comprometemo-nos em derrubar o sistema capitalista em si. Parecia-me que tudo estava corrompido pelo capitalismo, que já não havia mais opções éticas a fazer e senti que estava contra tudo e todos.

Dediquei a maior parte do meu tempo e energia a tentar persuadir as pessoas a mudar o seu ponto de vista e estilo de vida, recorrendo a todos os meios possíveis e imaginários e fiquei desesperada, quando a minha mensagem e acções pareciam ter falhado, sem mesmo propiciar o início da revolução necessária para derrubar o sistema. Eu vivia pela máxima: “A Terra não está a morrer, está a ser morta e as pessoas que a matam têm nomes e moradas.” Muita da minha verdadeira intenção de promover uma mudança benéfica estava misturada com raiva, e um sentido de separação, em relação àqueles que estavam a matar o planeta, o que apenas aumentou a minha falta de esperança e conduziu-me a uma depressão profunda. Habitualmente, ficava esgotada e bebia álcool e consumia drogas para fugir do mundo e da minha própria mente.                                                                                

Progressivamente, senti que as minhas acções não estavam a trazer mudanças suficientemente rápidas e o meu coração ansiava por natureza selvagem e comecei a dedicar mais do meu tempo à conservação e pesquisa da vida selvagem e a trabalhar no estrangeiro, numa ilha distante, que abriga uma reserva natural, na Escócia, chamada Handa. Apesar de, em muitos aspectos, estar no meu ambiente, vivendo no mais belo e remoto local, rodeada de um enorme número de animais selvagens, continuava a sentir-me numa depressão com tendências suicídas e a beber muito álcool, o que me confundia e a todos ao meu redor. Passei dois anos a tentar deixar de beber, tentei todos os métodos que pude encontrar, ficando contudo aquém de parar de beber. Durante este tempo, a minha bebida tornou-se tão má que, gradualmente, perdi tudo e todos os que amava e acabei desalojada e desesperada. Por fim, e neste estado de desespero, eu estava pronta para reabilitação, onde fiquei sóbria com o auxílio do Programa 12-Passos. Os 12-Passos são a solução espiritual para a adição e demorei muito tempo a superar a minha atitude fechada e ateia perante a Vida. Mas graças ao desespero, eu abri a mente, apenas o suficiente, para entrarem novas ideias. Lenta e oscilantemente, desenvolvi a fé em algo poderoso para além do meu pequeno eu. Eu não sabia o que este algo seria apenas que precisava de me render a ele diariamente e permitir que permeasse e guiasse a minha vida.

Com este novo panorama e uma emocionante sensação de me ter sido dada uma segunda oportunidade para viver, mudei-me para o País de Gales para seguir a minha paixão pelo cultivo, vivendo e trabalhando numa quinta de legumes biológicos. Aqui, deparei-me com o conceito de Permacultura e apercebi-me que tinha estado muitos anos à espera de viver desta forma, sem saber que haveria um nome para tal. Passei a minha vida a observar a Natureza e a ficar boquiaberta com a perfeição e a eficiência dos sistemas naturais. Parece-me absolutamente intuitivo que, para viver de forma sustentável e feliz, deveríamos imitar os sistemas naturais, combinando a inteligência do Homem com a sabedoria da Natureza, para cuidar de nós próprios e do planeta. Na busca de uma maior campanha agrícola, mais experiência e hortos florestais, decidi voluntariar-me através do WWOOF para o estrangeiro. Fui literalmente arrastada para Portugal, embora não soubesse porquê.

Nessa altura, tinha comprometido comigo mesma que a mais importante prioridade na minha vida era a minha evolução espiritual, apesar de não estar certa de como isso seria. Quando encontrei o sítio do Projecto Vida Desperta (Awakened Life Project), fiquei eufórica por encontrar uma visão para a Vida e para o Amor, com a qual eu ressoava completamente. Tinha assumido que me levaria anos até encontrar um lugar assim, uma comunidade com uma visão coerente, empenhada num crescimento espiritual evolucionário e uma visa sustentável. Ainda assim, eu não estava totalmente preparada para ser absolutamente respeitada e suportada em todos os níveis do meu ser ou para o amor e compromisso inabalável em algo maior do que si próprios que encontrei nas pessoas de Pete e Cynthia Bampton, os fundadores do Projecto Vida Desperta (PVD). Pela primeira vez, encontrei significado e propósito para a minha vida. Passei 5 anos a viver, a amar, a aprender e a co-criar a Quinta da Mizarela, o núcleo do PVD, mergulhada nos valores do projecto, tomando-os, gradualmente, como meus próprios.

Nestes anos de grande evolução e crescimento, conheci e casei-me com o Marko. Temos tanta sorte em partilhar a mesma paixão pelo mundo natural, especialmente as florestas e o mesmo desejo de aprender a viver e a prosperar em harmonia com a Natureza. Juntos concebemos o Projecto Floresta Desperta, para fazermos tudo o que pudermos para recuperar esta bela área, envolvendo o maior número de pessoas possível, para devolver algo à Natureza, que nos sustenta e anima todos os dias das nossas vidas.

Temos o privilégio de viver no nosso yurt acolhedor, de fabrico Português, colocado no topo de uma colina selvagem, na bela e vivificante terra de que somos guardiões. Vivemos com os nossos incríveis cães Missi e Balu, os companheiros mais amorosos e divertidos que alguma vez poderíamos desejar. Somos ainda co-criadores do PVD e envolvidos em muitos actividades do PVD . O Projecto Floresta Desperta é um projecto do PVD e uma emanação e manifestação do Amor Evolucionário em Acção, tal como nós!!

Eventos

Concerto, Conversa e Discussão - 1 e 2 de Agosto - Coja e Benfeita

Temos a honra de receber Tiokasin Ghosthorse, que viaja desde a sua reserva em Dakota do Sul até Portugal, para partilhar connosco oração, música e sabedoria intemporais.

Benfeita, 1º de Maio de 2017
Hoe houd ik van mijn lichaam en vind ik vrijheid in obsessies met eten. Donderdag 18 – zondag 21 mei 2017 Buinen, Netherlands

Heb jij een negatief beeld van jouw lichaam?

Quinta da Floresta, Benfeita 21 Outubro das 10h às 17h

Devido à grande procura, venho com grande satisfação anunciar uma nova oportunidade esta Primavera de iniciar a aprendizagem da arte e ciência do reconhecimento de plantas, no nosso bonito vale na Serra do Açor.

Quinta da Floresta, Benfeita 2018

Desde há milénios que as pessoas se retiram para locais selvagens para encontrar a paz interior e uma maior perspectiva da Vida. A Natureza, com a sua simplicidade e beleza, sustenta um profundo relaxamento do corpo, mente e alma.

ÚLTIMAS ENTRADAS NO BLOGUE

Sou apaixonado por construir com madeira em toros (troncos?). Conheço poucas coisas que façam sentido de tantas maneiras, quase todas de sentido prático e ecológico – o que no fundo é o mesmo – mas também financeiramente, esteticamente e em termos de resiliência e gestão da floresta.   

Ouvi dizer que, quando se está a criar, está-se mais próximo do Criador e, na minha experiência, isso é verdade.

Depois de um longo, quente e seco Verão, finalmente alguma, benvinda, chuva veio em Setembro. Estivémos fora durante as primeiras chuvas mas houve mais e depois de alguns dias de sol, fomos até uma floresta de bétulas e castanheiros mais adiante na montanha.